Atração de 724 indústrias do setor de plásticos, 271 mil empregos (168 mil no Estado do Rio) e geração de valor adicionado anual para o País de R$ 13 bilhões (R$ 10,6 bilhões no Rio). Este é um dos cenários possíveis detalhados no estudo Comperj – Potencial de Desenvolvimento Produtivo, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) no dia 20 de maio.
O documento, encomendado à Fundação Getúlio Vargas, analisa as variáveis de infra-estrutura, recursos físicos e humanos, importância para cada município, impacto econômico e geração de empregos. E faz recomendações para que o estado aproveite ao máximo os benefícios que serão gerados pelo empreendimento.
O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro está sendo construído desde 31 de março em uma área de 45 milhões de metros quadrados em Itaboraí, com investimentos de US$ 8,4 bilhões. O início das operações está previsto para 2012, quando a produção nacional de produtos petroquímicos deverá aumentar graças ao processamento de 150 mil barris por dia de óleo pesado.
O estudo prevê que a cadeia do plástico na região seja completada por até 724 indústrias do setor, 90% de micro e pequenas, atraídas pela disponibilidade de matéria-prima. Pelo cenário mais positivo, apenas essas empresas seriam responsáveis por investimentos de R$ 1,8 bilhão e faturamento anual de R$ 4,8 bilhões. Em um cenário conservador, seriam pelo menos 362 novas indústrias, com investimentos de R$ 900 milhões e faturamento anual próximo a R$ 2,4 bilhões.
Segundo as estimativas, 46% das novas indústrias do setor deverão se instalar nos sete municípios que foram demarcados pelo estudo como região de influência direta (Cachoeira de Macacu, Guapimirim, Itaboraí, Magé, Rio Bonito, São Gonçalo e Tanguá). Está previsto também grande potencial de concentração nos municípios de Duque de Caxias (13,5%), Nova Iguaçu (9,0%) e Queimados (8,8%), considerados parte da região de influência ampliada.
O pico da geração de empregos na fase de implantação do Comperj está previsto para o ano de 2011, quando o complexo deverá estar em fase de finalização. Serão gerados 173 mil postos de trabalho no Brasil, sendo 75 mil no Estado do Rio de Janeiro. Em um ano típico de operação, como 2015, a previsão cresce: no cenário otimista, seriam 271 mil empregos no país, sendo 168 mil no Rio – 63 mil deles nos sete municípios da região de influência direta.
Também na fase de operação, a geração anual de valor adicionado para a economia brasileira pode chegar a R$ 13 bilhões, com 84% desse valor gerado no Estado do Rio. A concretização dessas estimativas poderá fazer com que o Comperj signifique, entre hoje e 2015, um crescimento de 39% do PIB da região de influência direta. Mesmo municípios que em tese receberão menos investimentos passarão por um salto econômico, como nos casos de Tanguá (35% do PIB) e Guapimirim (29%).
O estudo considerou os dois cenários previstos pela Petrobras ao elaborar o Estudo de Impacto Ambiental. No cenário otimista, as empresas do Estado do Rio consumiriam 600 mil toneladas anuais de resina termoplástica, correspondentes a 27% da produção do Comperj. No cenário conservador, seriam 300 mil toneladas anuais, ou 13% da produção.
A divisão das regiões em influência direta e ampliada considerou distância, infra-estrutura e recursos humanos disponíveis. O segundo grupo inclui municípios da Baixada Fluminense e das regiões Serrana e das Baixadas Litorâneas. A lista é composta por Casimiro de Abreu, Duque de Caxias, Marica, Niterói, Nova Friburgo, Petrópolis, Rio de Janeiro, Saquarema, Silva Jardim, Teresópolis, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados e São João de Meriti.
Para esses municípios e também para o estado, o documento divulgado pela FIRJAN faz recomendações para que aproveitem melhor os grandes investimentos que passarão a receber. A primeira é investir na captação de indústrias consumidoras de matéria plástica; a segunda é investir na estratégia de pólos produtores, com a infra-estrutura de logística que a atividade pede; e a terceira é montar um pacote de incentivos, financeiros ou não.
Sobre a preocupação das prefeituras com o aumento da demanda por serviços públicos provocados pela migração, o estudo alerta que o aumento de renda na região de influência do Comperj pode dar origem a uma "exportação de desempregados". Se 20% dos trabalhadores desocupados da área de influência ampliada migrarem para a região direta em busca de oportunidades não-concretizadas, a taxa de desemprego na região direta dobraria, com impactos graves sobre a qualidade de vida.
Em um cenário conservador, segundo o estudo, a qualificação de trabalhadores desempregados da região de influência direta seria suficiente, em termos absolutos, para atender a demanda por mão-de-obra no momento de pico de geração de empregos durante as obras do Comperj, por volta de 2011. A taxa de desemprego na região direta, hoje, é de 7%. Num cenário otimista e já com a capacidade produtiva em utilização, aí sim a migração se tornaria necessária.
Fonte: Firjan - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
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