quinta-feira, 1 de maio de 2008

Investidores institucionais canadenses, americanos e europeus buscam agora o mercado imobiliário brasileiro

Melhora da percepção de risco, estabilidade macroeconômica e queda consistente da taxa de juros colocaram o Brasil na rota dos investimentos externos dedicados ao mercado imobiliário. Depois de um período de consultas,os estrangeiros começam a tirar do papel planos expressivos de investimento em imóveis no País. Só a consultoria americana Cushman & Wakefield Semco tem o mandato para aplicar este ano entre US$ 300 milhões e US$ 600 milhões em recursos externos, informa Celina Antunes, presidente da empresa para a América do Sul.
Mas o potencial de investimento estrangeiro no setor imobiliário brasileiro, até 2008, chega a US$ 3 bilhões, nas contas da Cushman. Celina afirma que o Brasil subiu vários pontos no conceito dos estrangeiros. Nem mesmo a crise política que o enfrentou afetou o interesse do investidor."Pelo contrário, há um gargalo: os recursos disponíveis são muito mais altos do que o Brasil pode absorver."
Celina conta que os investidores estrangeiros começaram a mostrar apetite pelo mercado imobiliário local no ano passado.No início,eram apenas consultas sobre as oportunidades de investimento. "Mas, neste ano, começaram a montar suas estratégias para de fato investir no País", afirma. "Estamos em busca dos imóveis."
Segundo a executiva,essa é a primeira vez que o Brasil entra no foco de investidores institucionais canadenses, americanos e europeus.Na Cushman,o número de consultas de estrangeiros interessados em colocar dinheiro no Brasil saiu de zero, em 2004, para oito no ano passado e 15 neste ano.
A consultoria anglo-americana Jones Lang La Salle também viu o número de consultas realizadas por grupos estrangeiros crescer.Segundo o diretor comercial André Rosa, o movimento, que começou em 2005,ganhou força ao longo deste ano e os interessados já passamdos 25. Nesse momento,a Jones Lang La Salle está intermediando negócios no valor R$ 200 milhões no segmento de imóveis comerciais, dos quais 70% envolvem recursos externos.Entre os interessados, além dos investidores institucionais como fundos de pensão e empresas, estão fundos imobiliários internacionais, hedge funds e family offices (consultores especializados na gestão de patrimônio pessoal).
O vice-presidente da também americana Hines no Brasil,Steve Dolman,explica que o forte interesse dos estrangeiros deve-se à liquidez abundante que valorizou demais mercados da Europa,Estados Unidos e Ásia.Segundo ele,os preços dos imóveis já subiram muito lá fora e as oportunidades ficaram restritas. Com a melhora nos fundamentos da economia, o Brasil apresenta-se, assim, como uma boa alternativa.
"Esse é o momento para investir", ressalta Dolman. Para ele, as oportunidades, sejam por meio do mercado de capitais, de parcerias com grupo locais para construção ou ainda de compra de imóveis prontos, tendem a diminuir.
A Hines, presente no Brasil desde 1998, administra um fundo de US$ 200 milhões para investimento no mercado imobiliário local. Parte dos recursos vem do maior fundo de pensão dos EUA, o CalPERS (dos professores da Califórnia).
Outro negócio que chamou a atenção do mercado foi a parceria, no início de maio, entre a Equity International e o empresário Carlos Betancourt (ex-Banco Pátria) para criar a Bracor. A empresa tem US$ 200 milhões para aplicar até 2008 em empreendimentos corporativos,como prédios de escritórios, galpões industriais, shoppings.Seriam duas as operações: a compra dos imóveis das empresas,que se tornariam locatárias (sale & lease back),ou a construção sob medida também para aluguel (build-to-suit).A Equity International, que pertence ao Equity Group Investment LLC do megainvestidor Sam Zell, é sócia da Gafisa, com 27,7% do capital da construtora.
Marcelo Rabbat, sócio da consultoria PR&A,destaca que o "debut"dos estrangeiros foi na Bolsa de Valores, por meio da compra de participação no capital de empresas do setor, como Company, Rossi e a própria Gafisa. Alguns investidores preferiram a associação com grupos locais para alavancar a construção de empreendimentos."O fato é que eles estão de olho no dinheiro que podem ganhar até o Brasil tornar-se grau de investimento", afirma.
Títulos de dívida, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e fundos de recebíveis com lastro em operações do setor, também têm despertado o interesse do estrangeiro, mas em menor escala, informa Rabbat. Ainda segundo o consultor, o estrangeiro tem muito mais apetite para correr risco no mercado imobiliário do que investidor local."Faz parte da cultura do estrangeiro."Mas o grande foco são os imóveis corporativos para renda, ou seja, destinados à locação. Segundo Celina, da Cushman,no Brasil, o retorno com aluguel gira em torno de 12% ao ano, contra 5% a 6% na Europa e 4,5% a 5% nos Estados Unidos. Ela destaca ainda que o mercado de locação tem um potencial expressivo de valorização. Em São Paulo, por exemplo, o metro quadrado de locação de um imóvel classe A, que chegou a R$ 65 em 2000, hoje está em R$ 52. A taxa de vacância também está em queda: passou de 20% no ano passado para 17% atualmente.
Fonte: Agência Estado.

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